Patrimônio Feira da Ponte: A Tradição Secular de São Miguel dos Campos
Aqui está o texto atualizado e integrado com a informação sobre a autoria da lei:
A história da Feira da Ponte é a prova viva de que a identidade de um povo se constrói na força de suas tradições e no pulsar de sua gente. O que começou ainda no século XIX como um modesto ponto de troca e comércio de pescados e artigos de barro às margens do Rio São Miguel é hoje, oficialmente, um dos maiores símbolos culturais e socioeconômicos de Alagoas. Reconhecida como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado por meio do Projeto de Lei de autoria da deputada estadual Fátima Canuto, a feira representa o ponto culminante de mais de 180 anos de história, resistência e celebração da cultura popular miguelense.
Esse reconhecimento oficial é fruto do respeito à vocação histórica de São Miguel dos Campos e do empenho do poder público em salvaguardar as tradições locais. No âmbito da gestão cultural e da articulação política, o fortalecimento da Feira da Ponte tem contado com o apoio fundamental da gestão municipal e do Legislativo estadual — impulsionado pela atuação da deputada Fátima Canuto, que também propôs a inclusão do evento no Calendário Turístico e de Eventos Oficiais do Estado —, garantindo que a celebração receba o suporte logístico, estrutural e financeiro necessário para se expandir sem perder a sua essência secular.
Essa trajetória vitoriosa começou de forma simples e espontânea, impulsionada pelos ciclos da Quaresma e da Semana Santa. Pescadores, agricultores, artesãos e louceiros reuniam-se no entorno da antiga ponte sobre o Rio São Miguel para comercializar os mantimentos necessários para o período pascal, com destaque para a troca do peixe e a venda da cerâmica tradicional.
Com o passar das décadas, o fluxo de feirantes e visitantes transbordou as margens do rio. O evento cresceu, modernizou-se e transformou-se em um megaencontro que hoje movimenta toda a economia do município e atrai milhares de pessoas de diversas regiões do estado. A Feira da Ponte mobiliza diretamente centenas de famílias de comerciantes, artesãos, músicos e produtores locais, consolidando-se como o maior produto cultural, econômico e turístico do município durante o período da Semana Santa.
A elevação da Feira da Ponte a Patrimônio Cultural Imaterial de Alagoas coroa quase dois séculos de dedicação de gerações de miguelenses que mantiveram essa chama acesa. Agora, sob a proteção da lei, a sobrevivência e a valorização dessa manifestação secular estão resguardadas. A união entre a força dos feirantes, a resistência da comunidade e o trabalho técnico e político de apoio à cultura garante que a Feira da Ponte continue a ser um motor de desenvolvimento e orgulho, assegurando que as futuras gerações continuem a ocupar as ruas da cidade com história, tradição e vida.